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Sessão cultural de 31 de janeiro de 2017


Em 31 de janeiro foi apresentada a comunicação “Os Cartazes: documentos de viagem nos mares da Ásia”, pelo Académico João de Deus Ramos


 
O Vice-Presidente da Classe de História Marítima iniciou a sua apresentação salientando que quando os Portugueses chegaram aos mares da Ásia Oriental, em finais do séc. XV, encontraram uma rede de comércio marítimo apoiada numa estrutura política pré-existente de estados asiáticos. Portugal soube não só inserir-se nessa rede pré-existente, mas sobretudo moldá-la aos seus desígnios através de uma clara afirmação de poder político, económico e técnico-militar.
Neste contexto, logo a partir dos começos do séc. XVI, é introduzido o sistema dos Cartazes, gerador de significativas receitas fiscais para as autoridades portuguesas.
O Cartaz era um documento de viagem ou salvo-conduto dado a mercadores de nacionalidades com as quais Portugal mantinha relações. Este sistema funcionou até à segunda metade do séc. XIX, ou seja, durante mais de três séculos e meio, o que atesta a sua eficácia no enquadramento político-jurídico ao longo deste período.
O sistema dos Cartazes foi adaptado – não inventado - pelos portugueses vindo efetivamente ao encontro de interesses comerciais variados e dinâmicos e que foram exponenciados pela chegada dos Portugueses e de outros ocidentais. Decorre naturalmente da eficácia do sistema a sua adoção por outros países asiáticos, e assim aos documentos de viagem semelhantes aos nossos Cartazes deram os Chineses e Japoneses diferentes designações, e outros povos porventura também. Será certamente interessante uma abordagem comparativa no que toca às circunstâncias e características próprias de todas as entidades emitentes deste tipo de documento de viagem como passaporte para navios, nos mares asiáticos: o que está na sua génese, as condições em que o sistema se desenvolveu e prosperou, que tipo de interações teve com os outros sistemas congéneres, a cronologia e as razões subjacentes ao seu declínio e desaparecimento. Só assim se poderá ter uma visão mais completa e integrada do sistema dos Cartazes utilizados pelas autoridades portuguesas, num espaço geográfico alargado e num período longo; e uma visão mais verdadeira da presença portuguesa na Ásia e do contributo para a criação de um mundo cada vez mais global.
 
 
 
 
 

 




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